sexta-feira, 15 de julho de 2011

Encontro de Solidões

Nesse momento de solitude
Nada basta, nem disfarça
O aperto do meu peito
E não há nesse mundo
Um rompante de atitude
Que esse nó desfaça
Nem o acalento de lembranças
Nem a certeza de um novo dia
Nem qualquer fula esperança
Que me afrouxe essa agonia
Que me faz sair da cama
Deixar meu aconchego
Meu travesseiro manchado de choro
Companheiro habitual
E como um qualquer carente
Sem um nada de decoro
Dessa cama me levanta
Me joga onde vejo gente
Que de um mundo virtual
Respira, conversa e vive
Mas, pra mim, nada adianta
E tamanha dor sem jeito
Me parece que jamais tive
E só com os dias se esvai
E promete me deixar
Mas mais uma vez me trai
Pois sei que levá-la-ei
Pra onde quer que eu vá.
Já não mais me engana
A chamada solidão
Pois já sei do que dela esperar
E meu cansado coração
Só sabe fazer suportar
Até que em outra solidão
Possa em seu colo aninhar.


Alexandre Valente