Tenho medo
Confesso
Sem vergonha
Nem vaidade
Mas me amedronta
Essa tal maturidade.
Estou no meio
De uma estrada
De um caminho
Que sei bem outro existir...
Penso ser coisas da minha idade
Desacredito
Nesse amor prometido
Ao meu eu mais íntimo
De um tempo no infinito
Me perco sem tê-lo
Causando-me tremores no espírito
E no reino do nada me atiro a alma
Descrendo no que acredito
Mas se eu parar
...não prosseguir
Carregado pelo instinto
E as pegadas do amor seguir
Sem ainda a essa altura
Não saber qual meu caminho
Quando nele, no amor insisto
Esperando dele
O que nunca teve
Compromisso.
E se por cismosa teimosia
Nele acredito
Me lança, ele, mil vezes ao abismo
Conhecido
Já vivido
Mas só sei quem sou
Exalante do amor
Por viver em poesia
E se um sim
Ao amor digo
Um pedaço de mim
Se rasga em doída heresia
Em descrença
Me faz mendigo
Em doença, sem cinismo
E nele o ser amado me atira
Por nova vez
No conhecido abismo
De almas ali deitadas
Conformadas
No fundo do abismo do amor
Olho aos lados...
Assustado...
Por vê-las ali prostradas
Conformadas
Nesse abismo do talvez.
Do qual as contas perdi.
Das vezes que nele caí
E do coração fazia asas
Sem mágoas
Prometendo ao meu eu
Mil vidas dele sair...
Alexandre Valente

