sábado, 10 de setembro de 2011

Abismo




Tenho medo
Confesso
Sem vergonha
Nem vaidade
Mas me amedronta
Essa tal maturidade.
Estou no meio
De uma estrada
De um caminho
Que sei bem outro existir...
Penso ser coisas da minha idade
Desacredito
Nesse amor prometido
Ao meu eu mais íntimo
De um tempo no infinito
Me perco sem tê-lo
E ao mundo minto
Causando-me tremores no espírito
E no reino do nada me atiro a alma
Descrendo no que acredito
Mas se eu parar
...não prosseguir
Carregado pelo instinto
E  as pegadas do amor seguir
Sem ainda a essa altura
Não saber qual meu caminho
Quando nele, no amor insisto
Esperando dele
O que nunca teve
Compromisso.
E se por cismosa  teimosia
Nele acredito
Me lança, ele,  mil vezes ao abismo
Conhecido
Já vivido
Mas só sei quem sou
Exalante do amor
Por viver em poesia
E se um sim
Ao amor digo
Um pedaço de mim
Se rasga em doída heresia
Em descrença
Me faz mendigo
Em doença, sem cinismo
E nele o ser amado me atira
Por nova vez
No conhecido abismo
De almas ali deitadas
Conformadas
No fundo do abismo do amor
Olho aos lados...
Assustado...
Por vê-las ali prostradas
Conformadas
Nesse abismo do talvez.
Do qual as contas perdi.
Das vezes que nele caí
E do coração fazia asas
Sem mágoas
Prometendo ao meu eu
Mil vidas dele sair...

Alexandre Valente


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Não tem mais jeito





Ele deixa tudo mais belo
Até o mais belo fica
No olhar dos namorados
Outros dizem-no vir com o tempo
Construído como trilhos
No coração do ser amado
Outros o fazem passatempo
Mas esse nada dura....só dor...
Contudo o melhor do amor
É o beijo de meia-hora
Os presentes escolhidos
As infinitas demoras....
As brigas com sorrisos...
O coração mais forte, no peito
As promessas nos olhares
O medo dos corações feridos
Ahh..Os amores...amores?
Aos meus olhos ele é único
A mais rara de todas as flores
Nos engana pela vida
Ou ao menos nos deixamos
Colecionando mais feridas
Mas  a alma esclarecida
Sabe bem a quem amamos
E se por acaso o vento o levar...
E perdido o amor se for...
Te deixar...
Deixe-o livre voar...
Não era o seu verdadeiro amor
O amor que é teu por direito
Não se cansa...
Só descansa junto ao ser achado
Eternamente procurado
Num momento de emoção
E ele busca num só peito.
Outro coração cansado
Abraçam-se com ternura
E o que eram dois
Não tem mais jeito
Se fundem num só coração

Alexandre Valente