quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ternamente




Tempo...
Se em ti pudesse voltar
Não mataria...
O que tudo me era vida!
Esqueceria...
Os olhos fecharia...
Pra ter meu amado
Ainda ao meu lado...
Tempo, tempo...
Só te busco em meus pensamentos
Com saudades do que ficou
Rebusco verdades de um amor...
Ahh..tempo...
Não posso reviver-te em presente
Mas o que meu coração guardou
Jamais me roubarás da mente.
Tempo...Tu ficas...Eu passo
Mas meu amor...
Levo ternamente...
E tu...sem poderes amar...
Ficas nesse, pra sempre, compasso
Do desamor,
Eternamente....

Alexandre Valente

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Negada Lembrança



E quem disse que te encontrar
Sem mesmo deveras te ver
Não cause a mesma tamanha dor
Do insciente dissabor
De tacanha idéia, do não te ter?
E quem disse que o procurado engodo
Faz-se desprezível o ser
Por na ânsia perdida do querer
Encher-se e se esvair nesse todo?
Desse devaneio eterno
Corre nas veias de um amante
Apaixonado, inconstante
Um pierrot subalterno,
Porém tão terno...
De eternos amores,
Carências ocultas, frágeis e irritantes...
E como tumores benígnos
De amores tão dignos
Jamais abandonam essas estranhas entranhas?
Por que te queixas da dor que é minha
Se é a única das lembranças que não me destes
Que no abismo do meu peito, sozinha
Na espera lateja, vive,
Despida de vestes
De esperanças...
Sobrevivendo terna
E eternamente, do que de fato, lhe reste?...

Alexandre Valente


Ansiedade morava no coração e não na cabeça


         A vida é um vai e vem. E o tempo uma terrível incógnita que sempre me pega desprevenido. Acho que deve ser assim com todo mundo, mas me fez pensar nas coisas que perdi nesse relampejo que ele é. Convivências, vivências, amores, desamores...e dormimos...e trabalhamos... e o que mais nos consome a vida é o que menos temos...O tempo. Olhar pra trás nos assusta...pra frente, também. O agora nem sempre é confortável...podendo ser prazeroso...tedioso...dolorido...,mas sempre envolvido pela ansiedade. E vivemos a era dos ansiosos...das trocas supérfluas...dos desvalores...e olha que ainda sou um jovem...não mais garoto, mas jovem...e já posso falar “na minha época”. Sim...nessa minha época a ansiedade morava no coração e não na cabeça...como era bom sentir a adrenalina da ansiedade...pela espera do tempo...e num pulo...num abrir e fechar de olhos o momento presente, presente se fez. E tudo que tenho em mente, é recuar uns passos no presente e resgatar lembranças que perdi no passado de quem amei e amo. E projetar um futuro com esses resgates e muito mais. Só não quero uma coisa. Deixar o tempo escorregar como antes...quero curti-lo como massinha colorida de criança...misturar bem as cores...e, só deixá-lo de lado, depois de muito brincar com ele...depois de muito misturar as cores e ver que tem um brinquedo novo lá na frente...e que posso usar essa minha “escultura de tempo”, de “vidas” nesse futuro, sem abrir mão de mais nenhuma cor e vida que nela apertei, amei e amarei. E é isso que quero do tempo. Pois ele se doa com benevolência à mim...e dele farei mais e mais vida. Sem mais abrir mão de nenhuma delas.
                     
Alexandre Valente