terça-feira, 30 de agosto de 2011

Negada Lembrança



E quem disse que te encontrar
Sem mesmo deveras te ver
Não cause a mesma tamanha dor
Do insciente dissabor
De tacanha idéia, do não te ter?
E quem disse que o procurado engodo
Faz-se desprezível o ser
Por na ânsia perdida do querer
Encher-se e se esvair nesse todo?
Desse devaneio eterno
Corre nas veias de um amante
Apaixonado, inconstante
Um pierrot subalterno,
Porém tão terno...
De eternos amores,
Carências ocultas, frágeis e irritantes...
E como tumores benígnos
De amores tão dignos
Jamais abandonam essas estranhas entranhas?
Por que te queixas da dor que é minha
Se é a única das lembranças que não me destes
Que no abismo do meu peito, sozinha
Na espera lateja, vive,
Despida de vestes
De esperanças...
Sobrevivendo terna
E eternamente, do que de fato, lhe reste?...

Alexandre Valente


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