A vida é um vai e vem. E o tempo uma terrível incógnita que sempre me pega desprevenido. Acho que deve ser assim com todo mundo, mas me fez pensar nas coisas que perdi nesse relampejo que ele é. Convivências, vivências, amores, desamores...e dormimos...e trabalhamos... e o que mais nos consome a vida é o que menos temos...O tempo. Olhar pra trás nos assusta...pra frente, também. O agora nem sempre é confortável...podendo ser prazeroso...tedioso...dolorido...,mas sempre envolvido pela ansiedade. E vivemos a era dos ansiosos...das trocas supérfluas...dos desvalores...e olha que ainda sou um jovem...não mais garoto, mas jovem...e já posso falar “na minha época”. Sim...nessa minha época a ansiedade morava no coração e não na cabeça...como era bom sentir a adrenalina da ansiedade...pela espera do tempo...e num pulo...num abrir e fechar de olhos o momento presente, presente se fez. E tudo que tenho em mente, é recuar uns passos no presente e resgatar lembranças que perdi no passado de quem amei e amo. E projetar um futuro com esses resgates e muito mais. Só não quero uma coisa. Deixar o tempo escorregar como antes...quero curti-lo como massinha colorida de criança...misturar bem as cores...e, só deixá-lo de lado, depois de muito brincar com ele...depois de muito misturar as cores e ver que tem um brinquedo novo lá na frente...e que posso usar essa minha “escultura de tempo”, de “vidas” nesse futuro, sem abrir mão de mais nenhuma cor e vida que nela apertei, amei e amarei. E é isso que quero do tempo. Pois ele se doa com benevolência à mim...e dele farei mais e mais vida. Sem mais abrir mão de nenhuma delas.
Alexandre Valente
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