quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Teus olhos meus



Era tarde...mas nem tanto
Quando do nada te vi
No reflexo da água que
Me refrescava a alma...
Surpreso fixei o olhar
Não acreditando no que via
E então, perguntei a ti
Quem tu eras, se existias
Quis pegar teu reflexo
Nas águas daquele rio
E quando percebi
Ainda que perplexo
Contigo no rio entrei
Desnudei-me do passado
E nele, em teu reflexo
De corpo e alma,
Me atirei
E nesse momento
Me vi como num filme
Que se passa diante dos olhos
Marejados
De tão apaixonados
Todo amor que contigo
Ainda não vivi.
Minh’alma se entregou
Quando te vivi ali pra mim
E adolescente me tornei
Quando juntos n’água
Nos tornamos um...
E nesse instante meu ser se achou
No reflexo de teus olhos
Por tanto procurado
E encontrado em lugar algum...
E nesse reflexo, no qual te achei
Não contive a me encantar
E em  meu eu te encontrar
E desde esse infinito tempo
Em que nele tudo parar-se fez
Prometi aos deuses
Que na  vida, dessa vez
Desses olhos que encontrei
No teu reflexo que vi perplexo
Por nada de mim
Deixar-te ei.

Alexandre Valente





 
 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Alma Covarde



Quem ama sozinho
Não ama a si mesmo
Quem ama sozinho
Motivo procura
Pra qualquer emoção
Ou motivação
Pra inspiração.
Um dia se acorda
E nada mais cruel
Ao perceber que do nada
O amor verdadeiro
Motivo só foi
De inspiração velada.
E cruel se torna minh’alma
Que desperta,
E acordada,
Nem ao motivo agradece
Pois nem o mesmo merece
Tanto carinho e alarde
Pois o poeta Valente
Cansou de amar
Uma alma covarde.


Alexandre Valente



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mundo Cibernético

 "Antes de nascer me disseram, ainda bem me lembro...vais renascer num mundo de robôs, mas robôs de carne e osso. Cabe a ti, fazeres com que os corações de alguns, dos com que conviveres, não sejam somente bombas de plasma."

Alexandre Valente.










 



cibernética
(inglês cybernetics, do grego kubernetikê, arte do piloto, arte de governar)
s. f.
Ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controle nas máquinas e nos seres vivos.






quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Espectro na Noite



O que trazes contigo é um dom
Um dom somente para comigo
No momento mais sublime
Tens que  impor o meu castigo.
Momento de êxtase e  ardor
Quando meu eu a ti entrego
E  sem nenhum pudor
Tua ausência eu renego
Renegando meu próprio amor.
Em meu solitário sentimento
Minh’alma feres com açoite.
Nem assim o que sinto tu acatas
E te vejo nas sombras da  noite.
E na tua ausência me completo os sentidos
E como um espectro atrás de ti me arrastas.
Embaralhas os meus tormentos
Me abandonas ainda mais ferido
E de ti ainda mais me afastas.
Habituo a abster-me de ti
Nos bons e nos maus momentos
E fartando-me de mais nada a te dar
Te confesso de coração partido
Que te deixo o meu fim, o meu basta
Pois cansei de deixar-me enredar
Perder-me em  teus sombrios espaços
Em vazias lacunas nefastas
Sem jamais ter caído em teus braços.


Alexandre Valente












Contradição



Não tenho vontade alguma
De escrever  nesse momento
Por isso resolvi escrever
E fazer da minha “desvontade”
Um momento de tormento,
Uma forma de aprender
Que nunca se torna tarde.
E essa inexpressiva vontade
Vai tomando o meu ser
Formigando cada membro
Contrariando meu agora
Forçando o que não me lembro
E nem vontade quero ter.
Poderia eu nada fazer!
Ou fazer o nada viver...
Um mundo sob meus olhos aflora.
E percebo que sou dono de verdade
Da verdade das minhas vontades
E mesmo sem ter o que dizer
Consigo vencer a maldade
E da palavra sugar as idéias
E deixar escorrer do meu ser
Fluir do coração para a mão
Esse torpe e audacioso criar
Nesse mundo de contradição!

Alexandre Valente

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Assembléia de Budas



E assim  fui chegando
Ouvindo o burburinho
Das pessoas recitando o mantra
O mantra dos mantras
O Nam-Myoho-Rengue-Kyo.
Fui adentrando sereno
Percebendo olhares curiosos
E brilhantes por minha presença
E me juntei a pequena assembléia
Colocando-me de mãos juntas
Doando minha recitação às pessoas
Que pra frente se voltavam
Ao Grande Mandala
Incorporação da Vida do Buda.
E meu estado búdico foi aflorando
Rasgando as entranhas da Tranqüilidade
Em que me encontrava.
E contagiou a pequena assembléia
De Budas.
E ao cessar do Rei dos Mantras
A assembléia em comunhão
Estudou o aspecto Myoho
A morte e a Vida
Myo – Ho
O imaterial e o material
O Espírito e o Corpo
O Mundo Subjetivo e o Mundo “Real”
A Grande Lei Mística
E os minutos escorregaram-se velozes
E a nobre assembléia
Dá por findo o nobre encontro
Entoando em uníssono
Por três vezes
Nam-MYOHO-Rengue-Kyo

Por Amor

Choro...choro porque meu Eu abarca o Universo
Abarca toda a Terra,
Choro, porque meu Eu chove,
E desagua nos rios até os mares...
De tanta humanidade que impulsiona
Essa nascente fluir tranqüila
De meus olhos...
Devolvendo a paz...ao meu Coração.

Vestido de Inverdades

Mente humana que de tão humana mente!
Sobrevivente num caos de realidades
Acordada num sonho de intempéries mil
Encontra no armário da vida, o vestido ideal do fetiche
Sempre usado,
Ousado,
Lindo, evidente, deslumbrante, pronto para o grande baile
Baile de gala, numa noite qualquer, corriqueira
Pronto na exatidão, para nos braços da ilusão
Deixar-se conduzir, ébrio, mas de mente lúcida
Translúcido de tantos irreais burburinhos
Lindo vestido
Que de tão escondido
Nessa noite qualquer
Expõe seu nobre tecido de brilho de falsas verdades
E de tantas e deveras inverdades
Cai nos "flashes" da festa, ébrio, de tanto malogro.
E sempre assim, se faz presente a mais um, nessa noite qualquer.
Pobre um.


Merecimento...


Vida...
Tava aqui pensando em você...
Sim...
Sem querer chegar ao seu fim,
Sem ter vivido tua infância
Sem ter bebido tua juventude.
Sem ter me afogado na tua felicidade.
Vida, que passa...
Passa, mas me deixa
Te imploro, compadeça...
Que na tua minha magnitude
Antes de tudo
Dos cabelos brancos
Da visão embaçada
Dos descansos nos bancos
Do corpo em torpor,
Viver tua fase plena.
Tua juventude serena,
O teu maior enigma
Teu maior merecimento
O amor.

Alexandre Valente

Viver a Vida





Entrega

"O amor não é um simples sentimento, mas sim uma solução para um mundo melhor. Há caminhos que levam a ele, dependendo do jeito que os traçamos. Então deixe-me corresponder com o meu amor que lhe guiarei aos caminhos do meu coração!"

Bach - Double Violin Concerto in D minor 2nd movement, Largo

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pra Sempre






Tu que do meu cavalo descestes
Preste atenção no que digo
Pra sempre serei teu presente
Sabendo que em mim nunca crestes.
Nas tristezas de teus términos
No amargor de seus desamores
Das decepções e das dores
Pra sempre...
Serei teu presente.
Preste atenção no que sinto
E muito mais no que tu sentes
Pois nos mais difíceis momentos
Serei eu o teu presente.
E onde quer que tu estejas
Traz a mim teu pensamento
Monto num pulo ao cavalo
E vou a ti...
Lavar tua dor
Fiel ao meu sentimento
Pois desde que parti
Com o mais puro amor
Um coração de saudade doente
O teu Cavaleiro deixou.
Não penses duas vezes
Em me trazer teu pensamento
Nas vezes que te deitares no ninho
Nos teus sonhos, tão sozinho
Pra sempre serei teu presente.

Alexandre Valente

Schubert - Ave Maria (Opera)

Ninho de Amor


Nas estrelas
Consigo ver você
Fecho os olhos
Pra não te ver...
Mas meu peito
Ainda bate por ti.
Sei que não mais
Por perto te terei
Mas mesmo assim,
O bem que te quero
É o mesmo pra mim.
Um pássaro noturno
Vem a minha janela
Pressinto que traz
Um pensamento teu.
Mas no segundo rasteiro
Do pular de um ponteiro
Sei que enganado estou
Pois não era amor
Amor verdadeiro
De um coração
Que iludido ficou.
E me vejo num final de semana
Me encontro assim
Sozinho na cama
Escrevendo sentimentos
Vivendo de lembranças
E de lindos momentos
Que só foram pra mim.
E nessa noite estrelada
Nenhuma balada
A mim encanta
Pois como criança
Prefiro ficar
Com meus pensamentos.
Olhando talvez, o mar
E se um barco a mim viesse
Não exitaria em pular
E remar às estrelas
E aos deuses implorar
Pra que o barco no sonho
Em que adormeci no meu leito
A ti me levar
E em puro deleito
Ao te encontrar
Mirar nos teus olhos
Aninhar-me em teu colo
E contigo ficar.

Par de Asas


Pensei ter me encantado
Por um anjo de bem longe
Mas ao vê-lo, enganado
Em silêncio eu fiquei.
Entreguei-lhe meu perdão
Em seus momentos de cólera
Mas de nada adiantava
Foram tantas essas vezes
Que perdido nem contei.
Pois assim o anjo era.
E em silêncio eu ficava
Pobre anjo eu pensava
O que leva nessa alma
Tão perdida e cansada?
A ele fui fiel,
Em todos os momentos
Fiz do anjo confidente
Dos  mais fortes sentimentos
Minha vida lhe contei
Mas o anjo descontente
Amargurado como fel
Num momento imprudente
De sua nuvem me expulsou
Como bandido, como réu.
Fui julgado e condenado
Porque ainda o amava
E arrematado fui ao céu
Que mesmo de sua nuvem atirado
Surpreso eu notava
Que eu tinha e ele não...
Um lindo e grande par de asas.
E feliz embora triste
Carregando uma lágrima
Voei para o meu mundo
Veloz para minha casa...
Minhas lindas asas encolhi
Para um outro vôo
Com certeza alçar
Pois o anjo me mostrou
A beleza que é voar!

Alexandre Valente

Carlos Scliar

Biografia

Desde cedo revelou vocação para a comunicação, o desenho e a pintura. Com 11 anos começou a publicar seus primeiros artigos ilustrados e, aos 14 anos, recebeu as primeiras aulas de arte com pintor austríaco Gustav Epstein.
Em 1935, já morando em Porto Alegre, participou da Exposição do Centenário Farroupinha. Em 1938, num ambiente de contestação aos cânones do neoclassicismo e à arte oficial desenvolvida pela Escola de Belas Artes, juntou-se a João Fahrion e juntos fundaram a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, da qual foi eleito secretário.
Em 1940 mudou-se para São Paulo, onde juntou-se a Rebolo e aos artistas do Grupo Santa Helena. Passou a integrar a Família Artística Paulista, que também era um movimento de contestação aos acadêmicos. No mesmo ano, tornou-se colaborador da "Revista Cultura" e realizou sua primeira mostra individual. Animado com o relativo sucesso obtido pela Família Artística Paulista em uma mostra realizada no Rio de Janeiro, Scliar inscreveu-se no Salão Nacional de Belas Artes, onde conquistou medalha de prata.
Em 1943 foi convocado para a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e seguiu para o Rio de Janeiro. Nessa ocasião conheceu a pintora Maria Helena Vieira da Silva e seu marido, o pintor Arpad Szenes, que se encontravam no Brasil como refugiados de guerra.
Em 1944 seguiu para a Itália com o 2º Escalão da FEB, comandado pelo general Cordeiro de Farias, voltando em julho de 1945. Ao retornar, trouxe consigo profundas recordações de sua passagem pelos campos de batalha. Observador atento, desenhou casas e imagens do norte da Itália, formando a série "Com a FEB na Itália", exibida no Rio de Janeiro, em São Paulo e Porto Alegre. Também retratou a si mesmo e a outros companheiros fardados.
Viajou para Paris em 1947, onde participou intensamente dos movimentos na defesa da paz entre os povos. Sua intenção era ficar lá para sempre, quando percebeu que, apesar de ser filho de imigrantes judeus, sua arte era brasileira. Além da França, percorreu a Itália, a Tchecoslováquia, a Polônia, Portugal e outros países, com sua atenção voltada particularmente à gravura e às artes gráficas.
Retornando ao Brasil, no ano de 1950, fixou-se em Porto Alegre em busca de suas raízes. Além de se dedicar à pintura e à gravura, inciou nova fase na carreira, participando de atividades na imprensa. Participou também da criação do Clube de Gravura de Porto Alegre, embrião que se espalhou pelo país e até pelo exterior. Em Porto Alegre, integrou a equipe que formulou a feição gráfica da revista "Horizonte". No Rio e em São Paulo, participou de outros empreendimentos gráficos, como o lançamento da revista "Senhor", da qual se tornou diretor de arte. Dedicou-se também à execução de ilustrações para diversos livros, entre os quais alguns romances de Jorge Amado. A peça Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes foi lançada em edição comemorativa de luxo em 1956, ilustrada por Carlos Scliar. Depois, alternou sua permanência entre Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Ouro Preto.
A partir de 1960, Scliar passou a viver exclusivamente da pintura, realizando inúmeras mostras individuais com trabalhos criados em seus ateliês de Cabo Frio, onde passou a residir, e Ouro Preto. Ativista, engajou-se na defesa da preservação das dunas das praias e da reserva de pau-brasil do balneário fluminense e do casario da cidade histórica mineira. Em 1962 fundou a editora Ediarte com Gilberto Chateaubriand, José Paulo Moreira da Fonseca, Michel Loeb e Carlos Nicolaievski.
Na década de 1970, produziu painéis para o Museu Manchete no Rio de Janeiro, para a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, para o Centro Administrativo de Salvador e para a Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, em Niterói.
As obras de Carlos Scliar podem ser vistas em acervos de museus e coleções nacionais e estrangeiras.
Cremado ao falecer, suas cinzas foram lançadas no Canal do Itajuru, em Cabo Fr Orla Scliar.
O trecho às margens do Canal do Itajuru, em Cabo Frio, em frente à casa onde Scliar morou por 40 anos, recebeu da prefeitura municipal o nome de Orla Scliar. A casa, que o próprio Scliar restaurou, se transformou no Instituto Cultural Carlos Scliar, e exibe boa parte de sua obra e de outros pintores brasileiros, além de preservar o mobiliário da casa e o ateliê, com suas tintas, telas e pincéis.
A orla tem urbanização personalizada, com as cores da paleta do pintor em vasos esféricos, com vegetação nativa, tudo confeccionado especialmente para o local.
Diante da casa, foi erigida uma estátua em tamanho natural do pintor, obra dos escultores Cristina Ventura e Jonas Corrêa.
Na inauguração da orla, em novembro de 2006, amigos de Scliar, os poetas Ferreira Gullar e Romério Rômulo e o ator e produtor cultural Haroldo Costa, homenagearam o pintor com leituras de textos e poesias.

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Foi um enorme prazer e um grande acréscimo na minha formação como ser-humano, conhecer um artista de tamanha grandiosidade, generosidade e talento como Carlos Scliar. Um incentivador. Comecei a ter o "atrevimento" de começar a pintar, vendo Scliar trabalhando abnegadamente e prazerosamente em seu Ateliê, em Cabo Frio, hoje um instituto com seu nome.



Ferida Aberta


Ferida Aberta

Algo em mim morreu
Uma chama que se apagou
Nem ao certo eu o sei
Explicar tamanha estranheza
Desse ardor que me deixou
Logo eu, Cavaleiro do Amor
Do desamor ser enlaçado
Pelas cordas da tristeza.
Cair nas garras das desconfianças
E entregar-me em torpor
E não permitir-me mais
Nem amar, nem ser amado
Nem a troca de alianças
O coração falar, sentir
Cavaleiro machucado
Pode ser isso, vai ver
Não sei se com o tempo passa
Mas os que de mim se aproximam
Tenho afastado convicto
De que não quero mais
Cavalgar no amor dos homens
Correr tamanho risco.
Ao menos por enquanto
Pode ser que como um encanto
Esse desamor de todo passe
E o Cavaleiro Valente
No amor se torne crente
E se faça o desenlace
Numa noite tão estrelada
Uma linda estrela
De beleza descabida
Do Valente Coração
Cicatrize a ferida.


Alexandre Valente
Mesmo que tivesse eu, todos os afazeres do mundo,
Cessaria de fazê-los
Por ti,
Para ti,
Apenas para dizer-te
Que conheço,
Tuas cores verdadeiras.

Lágrimas de Chuva


Lágrimas de Chuva


Fui andar pra te esquecer
Outros mundos conhecer
Num dia lindo de sol.
Saí como sempre sozinho
Te levando ainda comigo
Assim que lembrei de ti
Uma lágrima de meu rosto desceu
E como num passe de mágica
O sol logo se escondeu...
Cúmplice de meu sentimento
De minha dor tão trágica
O céu comigo chorou.
Por um longo e triste momento.
Forte chuva desabou
E meu pranto disfarçado foi
Pelas águas puras do tempo
E deixei o pranto cair
E me verem de rosto encharcado
Quem passava sequer desconfiava
Que aquele temporal repentino
De minha alma havia saído
Lavando meu coração machucado
E assim todo molhado
Em meu recanto cheguei
E não pude mais esconder
Minhas lágrimas de chuva
Do meu espelho embaçado
Que não refletiu minha imagem
Mas a imagem do meu amado.


Alexandre Valente